Sobre

A Orquestra de Bandolins
mais Antiga e mais Jovem da Europa

A Orquestra de Bandolins da Madeira (OBM) foi fundada a 18 de Fevereiro de 1913 na freguesia de São Roque (Funchal).

Composta por 30 músicos, com idades compreendidas entre os 12 e os 45 anos, a Orquestra é reconhecida como a Orquestra de Bandolins mais antiga e mais jovem da Europa devido à idade da fundação da mesma e as idades dos seus executantes. Uma distinção de relevância numa região de excelência no seio da comunidade europeia.

Anualmente, a Orquestra realiza cerca de quarenta concertos, distribuídos entre o Centro de Congressos da Madeira (Casino) e o Teatro Municipal Baltazar Dias. Os concertos são englobados nos programas de música clássica dos Concertos Semanais e dos Concertos Especiais, que têm vindo a ser desenvolvidos nos últimos 25 anos. Actualmente, a Orquestra de Bandolins da Madeira já realizou cerca de 500 concertos, tanto em território nacional como internacional.

Pertencente à associação do Recreio Musical União da Mocidade, a sua fundação tinha como objetivo conseguir envolver e cativar a juventude local para um projeto cultural e musical. Na sua história centenária, a Orquestra de Bandolins da Madeira passou por duas fases importantes.

A primeira fase ocorreu a meados dos anos 20, durante o tempo em que Ernesto Serrão era o maestro da mesma. Ernesto Baptista Serrão, militar de carreira, desenvolveu também actividade como músico e compositor. Foi reconhecido, com todo o mérito, o trabalho que desenvolveu na área da música madeirense, produzindo cerca de uma centena de obras musicais e mais de três centenas de arranjos. O seu carácter espontâneo, boémio, romântico e o seu espírito de trovador recuperavam pontos comuns com Wagner, um dos seus ídolos.

De facto, foi o empenho e criatividade de Ernesto Serrão que contribuíram para a origem de novas composições musicais e que foram sendo divulgadas ao som dos bandolins. Com Ernesto Serrão, os executantes da Tuna do Recreio Musical União da Mocidade, como era conhecida na altura, deixaram de tocar por ouvido para passarem a tocar por pauta, no seguimento das aulas de solfejo que este mestre lhes ministrou.

A segunda fase, decorreu a partir dos anos 70 aquando do ressurgimento da Tuna, após alguns anos de inactividade. Este ressurgimento teve dois nomes relevantes: maestro Elmano Gomes (entre 1978 e 1980) e maestro João Eurico Martins (a partir de 1989).

Ambos tiveram um papel preponderante no desenvolvimento dos âmbitos da abertura a elementos do sexo feminino, na aposta na formação através das escolas de música e na internacionalização. Porém, foi com o maestro Eurico Martins que dois desses âmbitos foram impulsionados ao mais alto nível e que resultaram numa reputação invejável da Orquestra de Bandolins da Madeira.

Os dois âmbitos que tiveram um enorme progresso sob a batuta de Eurico Martins foram: a formação, através das aulas gratuitas de bandolim e viola, e que se tornaram na base sólida para uma renovação e evolução contínua da Orquestra, permitindo assim melhorar a qualidade e a dinâmica do efetivo; e a internacionalização, que veio a culmatar a necessidade de divulgação do trabalho desenvolvido na Região e, sempre que possível, levar esse mesmo trabalho aos palcos nacionais e internacionais.

A primeira viagem internacional foi realizada em 1994, através da participação no V Festival Internacional de Orquestras “FRANCISCO TÁRREGA” em Valência (Espanha). De destacar ainda as duas tours em Inglaterra em 2002 e 2009 passando por locais como The Playhouse Theatre (Weston Super Mare), Wells Cathedral (Wells), Salisbury Cathedral (Salibury), Portsmouth Cathedral (Portsmouth), St. Georges Chapel (Windsor), at St. Paul’s Church (London), Petersfield and Liss United Reformed Church, at Holy Trinity Huddersfield (Huddersfield), at The Grand Venue (Clitheroe), The Brangwyn (Swansea), Lichfield Garrick (Lichfield), The Forum (Bath) and St. George’s Church (Bristol). Além destas, foram ainda realizadas viagens à Áustria e França.

Dentro do território português, destaca-se, entre outras, as participações: em 2005, nas comemorações dos 500 Anos do Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa); em 2009, no “Festival ao Largo” do Teatro Nacional São Carlos (Lisboa) com a participação do Maestro/Compositor Jorge Salgueiro e do Tenor Carlos Guilherme (o grande amigo da Orquestra); e em 2011 na celebração dos 30 Anos de carreira do Tenor Carlos Guilherme no Centro Cultural de Belém (Lisboa).

Mais recentemente, em 2018, a Orquestra de Bandolins da Madeira participou no evento “Tasting Madeira” no Parlamento Europeu (Bruxelas).

No currículo da Orquestra de Bandolins da Madeira, podemos salientar as mais variadas participações especiais de cantores e maestros de renome nos concertos, uma prática ainda em uso actualmente e que a Orquestra preza. Além do tenor português Carlos Guilherme, um amigo da Orquestra, podemos ainda destacar nomes como a soprano Elizabete Matos, o maestro João Paulo Santos, a soprano Cláudia Sousa, o barítono João Merino, o fadista António Pinto Basto, a cantora Diana Quintal, a soprano Cláudia Sardinha, o maestro Armando Vidal, o cantor Telmo Miranda, a cantora Micaela Abreu e a cantora Vânia Fernandes.

A Orquestra de Bandolins da Madeira já editou 5 CDs, 2 DVDs e 1 Livro com CD e conta com duas galardoações: do Governo Regional da Madeira, a Medalha de Ouro, e da Presidência da República, o título de Membro Honorário da Ordem do Mérito.

Maestro Eurico Martins ficou à frente dos destinos da Orquestra até 2014, ano do seu falecimento. Durante os anos que foi o Maestro desta formação, mostrou dedicação e perseverança na conquista de objectivos em prol da “sua” Orquestra.

As condições para a continuidade do seu legado tinham sido criadas e, tal como ocorreu quando maestro Elmano Gomes passou o testemunho para maestro Eurico Martins, o mesmo aconteceu quando a Orquestra foi assumida pela nova geração. Uma geração marcada pelo João André Martins, o seu filho, permitindo assim uma nova história para ser construída.